IECLB no Pluralismo Religioso - 2000
Manifesto da IECLB

Apresentação

E o Verbo se fez carne prega o evangelista João no início de seu evangelho. Dessa forma testemunha a encarnação de Deus. Já que Deus se torna concreto e palpável, também a igreja procura testemunhar, de maneira concreta, o amor divino para dentro de cada contexto novo. Já que os tempos e as situações mudam, a igreja precisa redefinir conteúdo e jeito de seu testemunho, seja por meio da pregação, da vivência ou através da ação diaconal.

Esse redefinir implica considerar o evangelho e os escritos confessionais em seus contextos distintos bem como levar a sério a realidade atual. Essa se caracteriza por muitas facetas nos níveis social, cultural e religioso. A sociedade multifacetada, em que vale tudo e nada, afeta também as nossas comunidades. Elas se sentem desnorteadas num mercado do pluralismo religioso. Sentem dificuldade em articular a sua identidade confessional e não mais percebem o que as une. Contra as ameaças de desintegração clamam, junto a sínodos, ao Conselho da Igreja e à Presidência, por redefinições da ética e conduta da vida comunitária e de uma releitura da nossa identidade confessional. A pergunta que se coloca é: Qual é o lugar da IECLB no pluralismo religioso? Qual é a nossa contribuição específica nessa generalizada fome e sede por sentido e rumo? A resposta só pode ser encontrada em conjunto, envolvendo as bases.

Foi o que aconteceu, a partir do primeiro documento Sentindo o pulso das bases. A Presidência o discutiu com os pastores sinodais, os presidentes sinodais e com o Conselho da Igreja. Desse debate resultou um texto reformulado sob o título IECLB em busca de seu lugar e papel no pluralismo religioso. Esse texto foi discutido em nível sinodal. Sugestões de emenda e alteração foram incorporadas nesse novo documento: IECLB no pluralismo religioso.

Objetiva afirmar positivamente quem somos, como vivemos em comunidade, como realizamos culto e como servimos nesse mundo pluralista. Justamente para viabilizar a nossa convivência em comunidade, sínodo e IECLB e para melhorar os resultados de nossa ação missionária, necessitamos de um mínimo de consensos em torno dessas bases norteadoras. Por isso o documento prima pelos afirmandos, identificados pelo sinal verde dum semáforo. Algumas legendas na margem lhes dão ainda maior destaque. Nesses parâmetros e referenciais exploramos amplo espaço para contextualizar o nosso testemunho missionário. Esses marcos norteadores de nossa identidade confessional nos permitem dar forma livre e criativa às manifestações de vida comunitária. Dão coragem para nos arriscar em formas e caminhos novos, até os limites identificados pelo sinal amarelo.

Tudo o que, de alguma forma, ultrapassa esses limites, põe em cheque a nossa identidade e confessionalidade luteranas e, como tal, não contribui em nada para a construção e edificação de comunidade da IECLB. Pelo contrário, desintegra a comunhão e prejudica a nossa contribuição específica. Observamos, pois, os sinais de vermelho, pensando em nosso próprio bem, em termos de integridade e identidade comunitária de IECLB. Ao mesmo tempo, honramos os limites, visando à força e eficácia do testemunho missionário luterano no mercado religioso. Os sinais vermelhos, portanto, não nos querem cercear a liberdade, mas garantir aquele mínimo de consenso, necessário para a convivência fraterna e indispensável para a credibilidade de nosso testemunho missionário.

Nesse sentido entregamos o presente documento para os e as líderes em nível comunitário, paroquial, sinodal e nacional, para os colaboradores leigos e as colaboradoras leigas, para as entidades e os setores de serviço, para as obreiras e os obreiros da IECLB.

Rogamos que o Espírito Santo, por meio desse instrumento, revigore a nossa comunhão, com vistas à eficácia do nosso testemunho missionário no mundo de Deus. Sopre fortemente, Espírito Santo!

Pentecostes de 2000

IECLB no pluralismo religioso

1 – Introdução

“A religiosidade está em alta, a religião em baixa”, constatou G. Brakemeier na Conferência Luterana sobre o Espírito Santo, em Ivoti, em novembro de 1999. Em reação a um mundo excludente e marginalizante pessoas procuram sentido de vida para sobreviver. Lançam mão dos mais diferentes recursos, sendo que no Brasil a religiosidade é um dos meios mais procurados. Experiência religiosa, com emoção, afeto e, preferencialmente, com cura, está em alta. Novos movimentos religiosos com características neo-pentecostais e orientais proliferam. Há em nosso meio um impressionante e crescente pluralismo religioso. Parece que as igrejas históricas ainda ou novamente interessam as massas à medida em que correspondem a essas expectativas. Eis por que o movimento carismático, ou como for denominado, perpassa todas as igrejas históricas. Seria esse fenômeno uma irrupção do Espírito Santo?, perguntou Brakemeier, na conferência em Ivoti, convidando a uma criteriosa avaliação.

Esse é o nosso propósito, com vistas à vivência e à prática missionárias em nossos dias.

2 - As bases em processo de planejamento missionário

2.1 - Na nova estrutura sinodal da IECLB, norteada pela visão do Ministério Compartilhado, comunidades e sínodos redescobrem a sua missão de ser sal da terra e luz do mundo (Mt 5.13-16) e a grande comissão de fazer discípulos em todo o mundo (Mt 28.18-20). A partir do batismo são incorporados na grande família de Deus. São feitos filhas e filhos de Deus, irmãs e irmãos uns dos outros. São ordenados sacerdotes e sacerdotisas do sacerdócio universal de todos os crentes. Pela fé aceitam a graça imerecida e assumem a sua condição, colocando sinais de gratuidade. Com razão sublinham que a missão não é dada a alguns especialistas, mas à comunidade. Nem sempre, porém, considera-se que Deus concede ministérios específicos com o intuito de conscientizar e equipar a comunidade com vistas à sua missão. Onde não se distingue entre sacerdócio universal e ministérios nem se interrelacionam os mesmos devidamente, a exemplo de Lei e Evangelho, aí surgem deturpações: ou se sacramenta o “pastorcentrismo” e a acomodação da comunidade ou se clericaliza o laicato, o que dá margem a todo tipo de desordem e desintegração no Corpo de Cristo.

2.2 - Igualmente redescobrimos que a missão abarca todas as necessidades de vida das pessoas bem como de toda a criação. Falamos, portanto, em dimensão holística da missão. A alternativa entre missão pela palavra ou missão pela ação diaconal devemos ter como superada. Palavra e ação não se excluem, nem podem ser colocadas em seqüência prioritária. Muito antes, ambas necessitam uma da outra. Elas se mesclam e se complementam mutuamente, visando à salvação integral em nível pessoal, sócio-estrutural, bem como cósmico. Segundo o evangelista Mateus, a missão se resume no peregrinar pelas vilas e cidades ensinando, pregando e curando (Mt 4.23; 9.35). De fato, Jesus viu as multidões e delas se compadeceu (Mt 9.36).

2.3 – Nesse mesmo espírito de misericórdia, passamos a enfocar alguns aspectos que caracterizam o mundo em que vivemos e ao qual somos enviados como comunidade missionária.

O sonho indígena por uma Terra sem Males foi frustrado pela invasão européia, iniciada há 500 anos. Com ela se instalaram corrupção, exploração, falência da saúde pública, falência da previdência social, espoliação do capital e dos recursos nacionais, injustiça, má distribuição de renda, desemprego, fome, miséria, violência, ... Dessa forma os indígenas falam hoje em ”Terra de muitos males”. No mundo globalizado, os avanços científico-tecnológicos em todas as áreas, inclusive na comunicação e informática, beneficiam minorias, enquanto a grande maioria de pessoas e povos sofre seus efeitos excludentes e marginalizantes. Sistemas de dependência em todos os níveis, também no econômico e cultural, estão aumentando. A política neoliberal não consegue ou não quer mudar, substancialmente, esse quadro. No mundo globalizado culturas e religiões não somente se aproximam, mas também se mesclam e guerreiam, provocando crises de identidade em todos os sentidos.

A sociedade atual, chamada “pós-moderna”, está se tornando multifacetada, a ponto de provocar crises de identidade, desorientação e solidão. Desespero se manifesta na busca por sentido de vida, por experiência religiosa e cura dos males individuais e imediatos. O número de pessoas que se confessam cristãs está diminuindo em comparação ao crescimento da população mundial. Na IECLB, embora o número de obreiras/os esteja aumentando, não podemos registrar um crescimento significativo do número de membros.

Esses flashes enfocam alguns aspectos do contexto em que queremos ser comunidade missionária. Em meio a essa realidade angustiante, porém, percebemos, com alegria, sinais de renovação e animação de nossa prática missionária.

3 - Sinais de esperança

Vemos tais sinais, por exemplo:

- quando obreiros/as e líderes leigos, nos diferentes níveis, se reúnem com outros especialistas para avaliar e planejar a sua ação missionária;

- quando comunidades e/ou sínodos investem em programas de formação de líderes;

- quando comunidades e obreiros/as com elas buscam renovar sua forma de culto, tornando-o mais participativo;

- quando visitadores/as regularmente fazem visitas a pessoas doentes, idosas e enlutadas;

- quando paróquias, sínodos ou entidades reúnem milhares de pessoas em Dia da Igreja, contribuindo para saciar a sede por experiência religiosa e comunhão;

- quando comunidades e membros ofertam, espontânea e generosamente, em apoio a tarefas missionárias mantidas ou subvencionadas pela IECLB;

- quando assumimos a missão e a solidariedade entre e para com povos indígenas;

- quando em parceria com outras igrejas aceitamos o desafio de ser presença missionária em Moçambique e outros países.

Basta a menção desses poucos sinais para sinalizar que o Espírito Santo está operando em e através da igreja.

4 – Dificuldades e clamores

De outra parte, em meio aos sinais de esperança, também é forçoso e igualmente evangélico reconhecer e confessar que temos fraquezas e, inclusive, tensões internas que preocupam um número crescente de membros e comunidades de nossa igreja. Nesse sentido, queremos compartilhar alguns dos clamores que têm sido manifestados verbalmente ou por carta:

» obreiras/os e líderes manifestam grande preocupação com a mentalidade de igreja-supermercado – paga-se o mínimo possível para cobrar o máximo de atendimento;

» membros se queixam da liturgia não envolvente e dos hinos difíceis;

» jovens afastam-se da vida comunitária por considerá-la monótona ou desatualizada;

» membros queixam-se da falta de maior uniformidade litúrgica em cultos e ofícios;

» membros expressam seu mal-estar quando ocorrem excessos em festas da comunidade;

» outros criticam que o obreiro ou a obreira mandou tirar do templo todos os símbolos;

» membros estranham que o/a pastor/a preside cultos e ofícios sem vestir o talar ou adota o traje típico de pregadores pentecostais;

» membros percebem, com profunda preocupação, que o/a pastor/a procura imitar, desajeitadamente, pregadores de sucesso de igrejas neo-pentecostais;

» outros membros expressam sua desconformidade com a aceitação de manifestações mediúnicas na IECLB;

» vizinhos do centro comunitário queixam-se do barulho no culto e da extensão do mesmo até altas horas da noite;

» membros inconformados com a “pentecostalização” do culto afastam-se, ostensiva ou silenciosamente, da comunidade;

» exige-se que a igreja excomungue anabatistas e exorcistas, estabelecendo normas claras para a vida comunitária e criando monitoramento (mecanismos de cobrança).

Tais queixas e clamores – e outros mais, não mencionados aqui – parecem indicar uma crescente sensação de que a IECLB seria um barco à deriva, sem comando, em que cada qual se dá o direito de fazer suas próprias tentativas de levá-lo adiante. Como quer que seja, todos eles devem ser analisados com muita seriedade, à luz do testemunho bíblico-confessional. Dessa maneira o Espírito Santo poderá transformar as dificuldades e os clamores em bênção para a Igreja.

5 - Como lidar com os clamores por definição de doutrina, conduta e ética luteranas?

Simplesmente expulsar todas aquelas pessoas que pensam e agem de maneira diferente não pode ser a solução para situações de tensão e conflito na igreja. Nessa linha, poderia acontecer que, por fim, não sobrasse ninguém... A afirmação e o aprofundamento de nossa unidade, bem como a necessária disciplina fraterna, não pode ter como pano de fundo a concepção de que alguns são salvos e outros, já condenados. Ao contrário, devemos lembrar sempre a parábola do joio misturado ao trigo (Mt 13.24-30). A distinção e a separação últimas entre ambos não nos competem nem acontecem agora. São reservadas ao Senhor da seara quando da sua volta. Também a igreja leva em seu corpo a marca de sermos todos pecadores justificados e, enquanto vivermos, simultaneamente justos e pecadores. Por conseguinte, devemos sempre estar atentos ao perigo de cairmos na tentação de assumir o papel do fariseu que se considerava justo, dando graças a Deus por não ser como o publicano pecador. (Cf. Lc 18.9-14)

Por todas essas razões convém lembrar que conflitos, por via de regra, sinalizam algum problema mais profundo e podem, portanto, quando bem trabalhados, contribuir para o bem da igreja (Rm 8.28). O Espírito Santo nos faz avaliar e reorientar a caminhada.

Contudo, para poder preservar o convívio fraterno na igreja visível (no caso, a própria IECLB), torna-se indispensável uma base consensual em torno da doutrina, da conduta e da ética luteranas. É o que tem sido sugerido com o conceito de “consenso mínimo”, que respeita a legítima diversidade, mas também preserva as condições para a unidade da igreja. Todas as pessoas que atuam em espírito eclesial e, portanto, abominam a instrumentalização da igreja para fins particularistas ou de grupos, saberão valorizar um tal consenso e empenhar-se-ão por ele. Nesse sentido, lembramos os consensos já expressados pelo encontro da Presidência com os pastores sinodais, publicados em IECLB às portas do novo milênio, cad. 1 (2.1 - 2.5).

Ou seja: antes de tudo, devemos afirmar, positivamente, nossa identidade confessional. Essa atitude positiva é fundamental e, falando em sentido figurativo, poderia ser simbolizada pela cor verde do semáforo, que nos permite avançar.

Vejamos alguns dos tópicos teológicos que norteiam nossa identidade confessional:

5.1 - Deus se revelou como aquele que justifica e liberta, por graça e mediante a fé, a quem não tem mérito próprio. É o que o apóstolo Paulo classificou de “justificação do ímpio”, e não dos justos! (cf. Rm 5.6-8). Jesus também recordou: “Não vim chamar justos, e sim, pecadores”. (Mc 2.17).

5.2 - Pela pregação da palavra, pela administração dos sacramentos e pelo testemunho prático do amor, o Espírito Santo faz crer nesse Deus. Assim cria e mantém a igreja. Ele é autor, mantenedor e consumador da fé. Esta atua pelo amor, no mundo em que vivemos, a fim de que muitos reconheçam Cristo como Senhor e que Deus seja glorificado.

5.3 – Há na IECLB, em diversas comunidades, manifestações de carismatismo de cunho pentecostal ou, como alguns preferem, de “renovação espiritual”. Há, de parte de membros, de comunidades e de sínodos, uma crescente demanda por posicionamento da IECLB frente ao carismatismo. Este posicionamento toca, direta ou indiretamente, diversas facetas do movimento carismático. Neste tópico, apresentamos algumas considerações teológico-pastorais gerais.

Sob o sinal verde do semáforo devemos reconhecer que o Espírito Santo pode utilizar-se dos mais diversos meios para renovar e fortalecer a igreja. O movimento carismático não deixa de constituir um alerta a notórias deficiências, existentes em várias comunidades de todas as igrejas. É, portanto, também um intento de sanar essas deficiências. Ele procura dar amplo espaço à participação dos membros, prestar atenção a suas necessidades psíquicas, físicas e sociais e fomentar a oração. Nesse sentido, o movimento carismático também exerce um papel missionário, atraindo à igreja significativas parcelas da população à sua margem. Também se pode observar um incremento da disposição para contribuir financeiramente para o trabalho da igreja.

Contudo, há outras facetas que são preocupantes ou, mesmo, merecem clara reprovação – os sinais amarelo e vermelho do semáforo! Há, no movimento carismático, com freqüência e até mesmo regularidade, uma crítica severa e de tom autojustificante à espiritualidade “tradicional” das comunidades, o que não apenas fere o amor ao próximo como constitui uma desconsideração da própria obra do Espírito Santo já efetuada. Esse é um problema real, que pode ser atestado pelo fato de que muitos membros da IECLB – não apenas membros “afastados”, mas também dentre os atuantes – têm se sentido discriminados e rejeitados, afastando-se da igreja ou buscando outras comunidades das proximidades geográficas.

Há na pregação do movimento carismático conceitos provenientes do mundo pentecostal ou neo-pentecostal que são claramente discutíveis ou, mesmo, questionáveis a partir de uma base confessional luterana e bíblico-evangélica, como, por exemplo, o de “batalha espiritual” ou “prosperidade”. Teologia luterana conhece e enfatiza a “teologia da cruz”, em contraposição a toda e qualquer manifestação de “teologia da glória”, mesmo e principalmente em suas variantes “espirituais”. A igreja luterana tem razões evangélicas para uma espiritualidade sóbria, que nem por isso deixa de ser profunda. Mesmo o “poder de Deus”, conceito tão caro ao movimento carismático, conhecemos na Escritura como manifestando-se “na fraqueza” (1 Co 12.9). O rei Jesus entrou em Jerusalém montado sobre um jumentinho (Mt 21.5) e, quando pendurado na cruz, exclamou: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt 27.46) – um escândalo aos “olhos do mundo”! Da teologia da prosperidade decorre a tentação de merecer, por meio da contribuição financeira, a promessa de recompensa. Cria-se, assim, uma motivação bastante egocêntrica e, não raras vezes, uma propensão a práticas com características mercantilistas.

5.4 - No batismo o Espírito Santo nos faz filhas e filhos de Deus, incorporando-nos como irmãs e irmãos na grande família de Deus. Essa é a graça que Deus nos oferece sem que a tivéssemos merecido por algum mérito nosso. Ele também nos convoca incessantemente à fé. Contudo, quando cremos, reconhecemos que a própria fé é dádiva do Espírito Santo que ele opera e mantém pela pregação da palavra e pelos sacramentos, na comunhão de irmãs e irmãos. Aliás, segundo 1 Co 12, a fé é o primeiro dom, do qual todos os demais dons se derivam, sempre para a edificação do corpo de Cristo, nunca para a discórdia. Assim o Espírito Santo nos santifica, diariamente, fazendo-nos morrer com Cristo para os poderes da morte e fazendo-nos ressuscitar com Cristo para a novidade de vida (Rm 6.4). No símbolo ilustrativo do semáforo, aqui adotado, essa graça está expressa pelo sinal verde.

Contudo, o dom gratuito recebido nos compromete com a prática de justiça, paz e amor, no mundo em que vivemos. O sinal amarelo do semáforo nos adverte para os perigos em nossa caminhada. Assim, por exemplo, somos alertados a que não propaguemos uma “graça barata”, que abusa do precioso sangue de Cristo, ao não comprometer ninguém com nada. Nesse sentido, é forçoso reconhecer que há entre nós deficiências de comportamento ético ou mesmo grande apatia de fé, com as quais não devemos nem podemos nos conformar. Nesses casos, a bênção batismal se transforma em maldição. A igreja luterana leva a sério que do evangelho sempre decorre o imperativo. Assim ela está a caminho entre Pentecostes e a volta de Cristo, no final dos tempos. O apóstolo Paulo afirma que todos os dons, quando exercidos na necessária ordem comunitária, cooperam para a edificação do corpo de Cristo. Lembra-nos, contudo, que o maior de todos os dons, o “caminho sobremodo excelente”, é o amor que nos vem de Deus e nos faz amar a nosso próximo (1 Co 12.31-13.13).

Por causa do amor incondicional de Deus e da nossa compreensão bíblica devemos admitir e praticar o batismo de crianças e de adultos. Não devemos permitir a absolutização de uma das duas formas, e o rebatismo, já ocorrido em âmbito da IECLB, é totalmente inadmissível numa igreja luterana. (Nesse particular, vale relembrar o caderno IECLB às portas do novo milênio (2.6). Voltando à figura aqui empregada, vemos agora aceso o sinal vermelho do semáforo. Alguns acontecimentos ou práticas na IECLB são absolutamente inaceitáveis por razões confessionais ou submetem a igreja à tamanha tensão que elas devem ser rechaçadas ou coibidas. A prática do rebatismo encontra-se no primeiro caso da incompatibilidade confessional. Do mesmo modo é inaceitável quando a comunidade batiza crianças sem que anteceda um diálogo pré-batismal com os pais e padrinhos – isso é desrespeito ao que reza o documento Nossa Fé – Nossa Vida (p. 17).

5.5 - Referente ao culto, deve ser lembrado que não é a comunidade que presta culto a Deus, mas é Deus que no culto serve a ela (por meio da palavra, do perdão, da comunhão, dos sacramentos e da bênção). Culto, portanto, é a celebração das misericórdias de Deus que convergem na obra salvífica de Cristo. O Espírito Santo faz buscar e abraçar o santo serviço de Deus em nosso favor. A comunidade, assim agraciada, responde a Deus com louvor e adoração e a ele serve, com todo o seu ser, no mundo em que vive (Rm 12.1). Desse princípio trinitário do culto decorrem os seguintes elementos universais constitutivos do culto cristão luterano: intróito (entrada: invocação, Salmo ou palavra bíblica de entrada), confiteor (confissão de pecados), palavra, ofertório (credo, oferta, intercessão), sacramento, envio e bênção.

O culto não é propriedade ou tarefa somente do/a obreiro/a, mas é privilégio e tarefa da comunidade. Esta participa ativamente com suas alegrias, dores, sofrimentos, dons e talentos. Na figura do semáforo, todos esses elementos constituem o sinal verde.

Observados esses parâmetros universais constitutivos, a criatividade deve ter amplo espaço, com vistas à contextualização do culto. O sinal amarelo consiste na advertência de que com toda necessária renovação litúrgica, não desprezemos ou abandonemos os elementos constitutivos de toda verdadeira liturgia, acima mencionados. Não podemos perder nem os elementos essenciais da liturgia nem sua dimensão comunitária. Sua observância é indispensável com vistas à edificação da comunidade e do testemunho para o mundo.

Contudo – e aí passamos para o sinal vermelho de nossa figura do semáforo –, com toda legítima e necessária renovação litúrgica, esses elementos não devem ser arbitrariamente abandonados. “Todas as coisas são lícitas, mas nem tudo convém!” afirma Paulo em 1 Co 10.23. É de grande importância que os membros da IECLB possam reconhecer sua igreja na celebração do culto, em todos os lugares.

Assim, não podemos admitir celebrações de culto em que a liturgia esteja totalmente descontextualizada e a comunidade não tenha participação ativa. Tampouco podemos tolerar cultos que se assemelham a shows em que a pessoa do celebrante, ou seja quem for, ocupa o lugar de Deus ou o lugar da comunidade.

Não podemos admitir que se ignorem ou omitam os elementos constitutivos do culto cristão.

Da mesma forma não podemos aceitar que no culto todos falem ao mesmo tempo, o que atrapalha a devoção na oração, mesmo que se trate do falar em línguas. Pois isso não edifica a comunidade, a não ser que haja, na hora, quem o interprete (cf. 1 Co 14.5, 28).

5.6 – Deus se comunica de maneira concreta, toma forma, encarna no mundo relativo e passageiro. O veículo da comunicação divina, por excelência, é Jesus de Nazaré. Os olhos da fé o reconhecem como verdadeiro ser humano, segundo a imagem de Deus, e como verdadeiro Deus. É vontade de Deus que o seu santo amor se manifeste de maneira sensível e experimentável pelos sentidos humanos. Ele é criativo e se utiliza de elementos terrenos como símbolos da comunicação divina. São símbolos relativos e, por conseguinte, sujeitos à ambigüidade. Há símbolos com caráter universal, tais como: cruz, Bíblia, vela, cores litúrgicas, as iniciais X e P juntadas, peixe (“ixthys”), coroa, estrela, água, pão, uva e derivados. Esses e tantos outros símbolos não são propriedade individual de ninguém. Pertencem a toda a cristandade. Além destes podem surgir, a partir da experiência do cotidiano que transcende para o eterno, em cada novo tempo e lugar, símbolos novos. Tais aspectos alusivos a símbolos universais e contextuais enriquecem a vida da igreja e constituem, portanto, o sinal verde do semáforo.

O sinal amarelo do semáforo, porém, nos alerta para não confundirmos o símbolo com o simbolizado. Isso seria idolatria. Entretanto, o símbolo participa do simbolizado, é por ele inspirado e para ele quer apontar. Ao mesmo tempo, nos admoesta para verificar e evidenciar a contextualidade dos símbolos. Isso nos exige o devido cuidado.

Por isso não é admissível que tais e outros símbolos, próprios de nossa tradição, sejam desprezados ou rejeitados, seja por obreiros/as ou comunidades. Não pode ser tolerado que se tirem dos templos os símbolos que caracterizam o lugar como espaço de culto cristão. O sinal vermelho do semáforo se acende diante de tal descaracterização do ambiente devocional de nosso culto.

5.7 - A vestimenta litúrgica também tem caráter simbólico. Ela não depende do gosto ou direito de um/a obreiro/a ou de uma comunidade individualmente, mas sua forma e seu uso são regulamentados pela IECLB como um todo. O talar, por exemplo, na cor preta ou a alba na cor clara (bege) com suas estolas nas cores do tempo litúrgico, são aceitos pela IECLB. Essa vestimenta litúrgica identifica a pessoa como obreiro/a pastoral que a IECLB ordenou para o exercício público do ministério pastoral, em âmbito nacional e internacional. Legitima e protege a pessoa em âmbito público. Ao mesmo tempo, a vestimenta litúrgica compromete o/a obreiro/a com a IECLB em âmbito ecumênico, identifica a sua identidade confessional luterana. Esses são os aspectos afirmativos simbolizados pelo sinal verde do semáforo.

Não é admissível, portanto, que um/a obreiro/a ou uma comunidade dispense arbitrariamente, em celebrações públicas, o uso do talar, substituindo-o por traje civil. Ao contrário, seu uso está claramente prescrito nos regulamentos da IECLB, que todo/a obreiro/a em sua ordenação promete observar.

5.8 - Onde não mais se crê na onipotência de Deus, os demônios proliferam, em todas as esferas da vida. Na visão de Deus, porém, o diabo não é mais poderoso do que um cachorro acorrentado – ele não consegue ir além do alcance de sua própria corrente. Segundo o apóstolo Paulo, o pecado, a morte e o diabo já foram derrotados pela ressurreição de Cristo: “Onde está, ó morte, a tua vitória? Graças a Deus, que nos dá a vitória, por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo.” (1 Co 15. 57)

Doenças psicossomáticas e psicossociais requerem tratamento especializado e, sobretudo, a acolhida, através de uma comunidade que promove cura em todos os sentidos. Falamos em comunidade terapêutica. Tais recursos Deus os coloca à disposição através da intermediação humana. Deus coloca muitos meios à disposição, como por exemplo: visitação, aconselhamento, encaminhamento para atendimento especializado, intercessão com imposição de mãos, além dos recursos médicos que nunca devem ser desprezados. Nos cultos e nas reuniões dos grupos pode e deve haver espaço onde as alegrias bem como as dores e os sofrimentos são compartilhados. Pois alegria compartilhada duplica o seu sentido e alcance, e dor repartida perde a metade do seu peso. A comunidade cristã ora em favor das pessoas que estão enfermas. Tudo isso devemos afirmar; é o sinal verde do semáforo.

Doenças psicossomáticas e semelhantes requerem especial serenidade, responsabilidade e discrição da nossa parte. É preciso haver discernimento entre a competência espiritual e psicossomática. Esse é o alerta do sinal amarelo.

Tais doenças não poderão ser curadas por decreto, muito menos em forma de show e espetáculo público, ou seja, em assim chamados cultos de libertação. Quando há suspeita de que uma pessoa seja possessa, “necessário se faz um criterioso e abalizado estudo, assessoramento de especialistas na área da saúde e envolvimento da liderança da comunidade para uma tomada de decisão a mais objetiva possível. Como em outras áreas, também nesse assunto decisões monopolizadas pelo pastor ou pastora e, mesmo, por um pequeno grupo exclusivo, abrem portas ao abuso e à arbitrariedade. Constatada a veracidade do caso, o exorcismo dar-se-á pela oração, com o envolvimento do pastor ou pastora e da liderança da comunidade. A cura requer também discrição, em respeito ao paciente e à sobriedade da atuação do Espírito. De modo algum, a oração deve ser desvirtuada, pelo exorcismo, em espetáculo público para a atração de novos fiéis” (cf. IECLB – às portas ..., cad. 1, item 2.7; 2.18,6). Aí o semáforo passa para o sinal vermelho.

5.9 - A IECLB adotou o ministério missionário. Missionários, que podem atuar em todo âmbito geográfico da IECLB, devem ser formados e devidamente ordenados. Podem ser formados no CPM em Curitiba ou no CETEOL em Mato Preto. Somente a IECLB tem a autoridade de ordená-los.

Esse ministério não deve ser confundido ou igualado ao serviço de colaborador/a leigo/a que alguém pode exercer em nível limitado, em determinada comunidade, por vocação e mandato da mesma. Nesse caso, portanto, não se admite falar em “missionário leigo”, mesmo que seja remunerado pela comunidade. Caso contrário, estaríamos confundindo colaboradores leigos com os “obreiros missionários”, ordenados conforme o Estatuto do Exercício Público do Ministério Eclesiástico. Analogamente, deve-se observar que a IECLB tem um ministério pastoral ordenado e comunidades não se devem atribuir o direito de convocar para o ministério pastoral em seu meio pastores ou missionários de outras igrejas, a não ser quando precedido de processo de admissão no quadro de obreiros/as da IECLB.

5.10 – Há, na IECLB, crescentes tensões no tocante a abusos na realização de festas. Quando há um excessivo consumo alcoólico, podem surgir rixas e contendas. Em caso de a preocupação por arrecadação financeira passar a ser a motivação predominante para sua realização, seu objetivo de celebrar a comunhão é desvirtuada. Em sua origem, as festas constituem encontros comunitários, em que se celebra a vida e aprofunda a comunhão diária. Muitas vezes a música e o canto desempenham um importante papel de integração e manifestação cultural. Em tudo isso, as festas são legítimas e condizem com a liberdade evangélica que temos em Cristo.

Contudo, também é inegável haver abusos que as comunidades não podem propiciar sem dano público à credibilidade do testemunho evangélico. Uma comunidade terapêutica combate o alcoolismo e seus malefícios, não os facilita. É, portanto, necessário e salutar que mais e mais comunidades se empenhem por práticas alternativas, como almoços e jantas comunitárias, e, no tocante à arrecadação, incentivem a prática de doações espontâneas e ofertas de gratidão.

5.11 – Que fazer, quando são rompidos ou colocados em xeque os consensos mínimos em torno de doutrina, conduta e ética, legitimamente adotados segundo nossa base confessional ou regulamentações eclesiásticas? Nesses casos limítrofes, impõe-se a pergunta pela instauração de um processo disciplinar e/ou doutrinário, com vistas à disciplina fraternal. O artigo 30 da primeira Constituição da IECLB nunca foi regulamentado, embora houvesse clamores para tanto. No dia 14/12/1999 uma comissão, oficialmente incumbida, entregou à direção da Igreja uma proposta de regulamentação do respectivo artigo 39 da nova Constituição da IECLB, intitulado por “Ordenamento Disciplinar e Doutrinário” (ODD). Necessário se faz que Deus nos liberte de falsa piedade e nos faça abraçar a vida eclesial no espírito de Bonhoeffer, teólogo alemão, no tempo da resistência a Hitler. Em seu livro “Vida em comunhão” o autor faz ver que a comunhão requer regras que facilitem o convívio, com vistas ao testemunho e à missão da igreja no mundo.

Na atual estrutura da IECLB, cabe ao sínodo, em primeira instância, vigiar e exigir a observância desse mínimo de consensos em torno da doutrina, da conduta e da ética luteranas (cf. Constituição, Art. 19 e 22). Em caso de desrespeito o sínodo procura, via informação e diálogo, corrigir os desvios, com vistas à consolação fraterna e ao restabelecimento da unidade da igreja. O caminho pastoral tem precedência sobre o disciplinar, embora este possa vir a ser necessário ali onde a via dialogal não mais surtir efeito. Neste caso, o sínodo deverá instaurar o processo disciplinar e/ou doutrinário.

Também a disciplina deve ser exercida em amor, visando o restabelecimento da unidade e da concórdia. Contudo, o amor não pode ser pretexto para uma prática eclesial desregrada. Há situações em que o risco de “deixar correr o barco” é nitidamente maior até mesmo do que o risco de eventualmente exercer a disciplina de maneira injusta. Às vezes não nos resta outra alternativa do que correr riscos. Simplesmente não podemos furtar-nos de nossa responsabilidade eclesial.

Contudo, o empenho pela justiça, pela verdade e pela compaixão deve nutrir e guiar todos os procedimentos disciplinares. Os próprios regulamentos podem e devem ser contextuais e, portanto, mutáveis. Quem os pode mudar, porém, não é o indivíduo, conforme as conveniências, mas sim a comunidade e a igreja, através de seus órgãos constituídos. Ao membro da IECLB cabe o direito e o dever de propor nas instâncias apropriadas alterações regulamentares que julgar necessárias. Segundo as normas vigentes, a IECLB se organiza em diretorias e conselhos, assembléias e concílio. A esses cabe, no marco de normas estabelecidas, a responsabilidade de velar pelo cumprimento dos regulamentos e, se preciso, reformá-los.

6 - Movimentos a serviço da missão que Deus realiza através da Igreja

6.1 - A IECLB pode agradecer a Deus pelos movimentos ou pelas entidades que tem, ou seja, Missão Evangélica União Cristã, Movimento Encontrão, Pastoral Popular Luterana, Comunhão Martim Lutero. Eles são manifestação de vida, sinal da ação do Espírito Santo.

6.2 - Movimentos sinalizam que algo na igreja está necessitado, carente, insuficiente, negligenciado, esquecido ou simplesmente mal. Eles são uma reação, uma tentativa de reforma e complementação. Cabe à igreja olhar, escutar e decodificar o recado que está sendo dado. Ela deve ter liberdade e vontade de incorporar, de maneira crítica, criativa e responsável, o novo que se apresenta. Nesse processo, certamente deverá acontecer uma releitura da própria identidade confessional. Certamente teremos de redescobrir a dimensão do Espírito Santo, tanto em sua dimensão consoladora e sanadora, como admoestadora e transformadora.

6.3 - O movimento, por sua vez, deverá admitir ser ele mesmo questionado, por parte da igreja e seus órgãos constituídos, com vistas a sua identidade confessional, e estar disposto a reavaliar permanentemente suas propostas. Também deve reconhecer e assumir o seu lugar de entidade e movimento dentro e sob a igreja. Particular cuidado deverá ter quando ele próprio se institucionaliza. Não deve almejar ser “igreja dentro da Igreja”. Tampouco deve pretender assumir o papel de direção da igreja arvorando-se o direito de decidir questões administrativas da igreja, nem instrumentalizar as comunidades para finalidades exclusivas do próprio movimento. Ao contrário, o movimento deve entender-se como estando a serviço da igreja como um todo. Será uma bênção somente à medida em que servir, humildemente, por meio dos seus dons aprimorados, ao testemunho e à missão que Deus realiza através da igreja.

6.4 - Esse convívio de ambos será tenso, quando o movimento perder de vista o todo que é maior. Quando, porém, se vê humildemente a própria limitação e se prioriza o todo, desarmando cada parte o seu espírito, esse processo poderá ser frutífero, tanto para a instituição quanto para o movimento. Onde os espíritos estão armados, o diabo está realizando a sua obra de polarização e desintegração. E isso vai em prejuízo do testemunho e da missão da Igreja.

6.5 - Mas onde sopra o Espírito Santo, experimentamos liberdade e humildade para nos dispormos ao diálogo e à busca por novos instrumentos de leitura e releitura da Bíblia e dos documentos confessionais da igreja. Não nos iludimos com a possibilidade de descobrir uma única hermenêutica, capaz de superar todas as nossas diferenças. Mas confiamos que o Espírito Santo nos possa libertar para uma serena postura dialogal. Ela será a condição para conscientizarmo-nos do fato de que há hermenêuticas diferentes e para buscarmos, em meio às diferenças, consensos suficientes para a caminhada conjunta, numa mesma igreja e numa mesma família ecumênica. Dessa maneira, a nossa força missionária será revigorada num mundo pluralista. Sopre fortemente, Espírito Santo!
Huberto Kirchheim - Pastor Presidente
Portal Luteranos - na Aba: Unidade - Manifestos e Declarações
sábado, 21 de julho de 2012
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