Manifesto contra as Minas Antipessoais - 1999
Carta Pastoral da Presidência

Por meio dessa promessa de nosso Senhor saúdo-os em meio a tantas situações que clamam por paz, como está acontecendo, por exemplo, no Timor Leste, onde pessoas lutam pelos seus direitos básicos de autodeterminação, ou na área do Afeganistão, onde mulheres são recriminadas e torturadas, emocional e fisicamente pelo poder islâmico fundamentalista. Roguemos a Deus, pedindo que sensibilize os governantes de todo o mundo para que se esforcem na promoção da paz.

No mundo globalizado esse desafio não mais é tarefa somente de indivíduos ou de determinados governantes, mas é um compromisso básico de todos os seres humanos.

Esse compromisso implica, antes de mais nada, em desarmamento total, tanto espiritual e emocional quanto física e materialmente.
Foi por isso que, em fevereiro de 1998, temos motivado todo o povo da IECLB a se associar ao movimento mundial contra as minas antipessoais que matam, mesmo anos depois do conflito armado. No dia 01/03/99 os sinos de igrejas em muitas comunidades da IECLB repicaram em forma de protesto e alerta.

A luta contra as minas antipessoais resultou no fato de o Brasil assinar a Convenção Internacional sobre a Proibição do Uso, Armazenamento, Produção e Transferência de Minas Antipessoais e sobre sua Destruição. Esse Tratado Ottawa foi assinado pelo Brasil em 03/12/1997 e finalmente ratificado em 30/04/1999. Até o presente momento o mesmo foi assinado por 135 países e ratificado por 84.

O Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI) nos informa que:

O Brasil, até 1996, constava na lista dos produtores de minas terrestres e há informações de ter exportado grande quantidade de minas para Angola e Moçambique.

Conforme a Convenção, em seu artigo 4, o Brasil tem 4 anos para destruir ou assegurar a destruição de todas as minas antipessoais que tenha ou que possua. Deve, também, em 180 dias entregar relatório ao secretário-geral da ONU com informações sobre medidas nacionais de implementação (artigo 9) e medidas de transparência (artigo 7).

No dia 1o de outubro de 1999, entidades e pessoas comprometidas com a campanha nacional contra as armas terrestres estão convidadas a enviar mensagem ao Presidente da República e a organizar manifestações e atos para celebrar este momento histórico e lembrar as vítimas deste terrível armamento. Igrejas e colégios são chamados a tocarem os seus sinos às 10:00h da manhã.

Pensamos que o momento de fazer repicar os nossos sinos é oportuno por dois motivos: a) para agradecer a Deus que o Brasil tenha ratificado a assinatura do Tratado de Ottawa; b) para rogar a Deus que sensibilize governantes e o povo todo para realmente se desarmar, pois é somente dessa maneira que possamos viver em paz.
Embora o tempo de divulgação e preparação seja muito exíguo, queremos animar as irmãs e os irmãos a se irmanarem a esse movimento nacional de promoção da paz, no dia 1º de outubro e, caso não mais for possível até este dia, que estudem maneiras de tratar do assunto posteriormente.

Porto Alegre, 17 de setembro de 1999
Walter Altmann - Presidência em exercício da IECLB
Portal Luteranos - na Aba: Unidade - Manifestos e Declarações
sábado, 21 de julho de 2012
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