Paróquia Evangélica de Confissão Luterana em Belém-PA
foto: autor desconhecido
COMUNIDADES
Pedreira - Belém. Pontos de Pregação: Içuí-Guaiará (Ananindeua), Tomé-Açú, Vila da Barca (Belém)
ENDEREÇO DA SEDE
Paróquia Evangélica de Confissão Luterana em Belém-PA
Tel. (91) 3276 3196, e-mail: pclb@nautilus.com.br, Av. Visconde de Inhaúma, 1557 - Pedreira, 66087-640 - Belém - PA.

Lenda da Matinta Pereira / Norte do Brasil:

"Pois, em Belém do Pará, não havia um vivente que não tivesse uma história de assombração com a Matinta, fosse em casa, na rua, na estrada, na lavoura ou na beira-rio. Uns diziam que as matintas existiam desde os tempos em que só havia índios pelas terras da Amazônia. Que eram pássaros grandes que rondavamas aldeias, numa piação danada. Que, por costume, também eram encantamentos de pajés e feiticeiros, desse jeito transformados em matintaspereiras. Que protegiam a floresta..."

Apresentação
Enquanto escrevemos essas linhas, nos inspiramos pelo som dos curimbós do Grupo de Cultura Regional Iaçá da Paróquia de Confissão Luterana em Belém (PCLB), que ensaia danças regionais. A música invade todo o espaço da capela, sai pelas muitas janelas abertas e leva o ritmo e as lendas da Amazônia para quem passa na frente da igreja e para quem está trabalhando na secretaria, na recepção, na sala do Projeto Mururé...

Dia 28 de outubro, realizamos um Culto Ecumênico pelo Dia da Reforma, com a participação de diferentes igrejas e entidades. Após o culto, durante uma gostosa feijoada, todas as pessoas foram convidadas a integrar uma dança comunitária sobre a Matinta Pereira e muita gente participou. Durante o culto, no ofertório, juntamente com o Pão e o Vinho, várias frutas e símbolos da luta e da terra foram ofertados. Uma dançarina do Grupo Iaçá, antes de iniciar a dança no Ofertório, falou que não sabia com certeza qual seria a reação de Lutero ao ver as pessoas dançando nesse momento, mas que "assim como Lutero traduziu a Bíblia do latim para o alemão, nós hoje também nos preocupamos e valorizamos a língua, a cultura de um povo e que tudo faz parte do culto."

Refletimos sobre o que significa hoje a Reforma Protestante para as igrejas no norte do Brasil. É uma pergunta pela identidade. Como é, o que é, qual é a identidade dos luteranos no Pará? A PCLB nasceu em torno do ano de 1979, no intuito de atender e grupalizar os que viviam nessa região e fortalecer a comunidade com novas pessoas. Acreditamos que já no começo essa pergunta pela identidade esteve presente. Como misturar as expectativas e os referenciais de igreja luterana daqueles que migraram do sul do país com a realidade tão distinta das/os paraenses. A cultura e o contexto foram traçando os rostos dessa comunidade. A primeira obreira, hoje ainda presente e atuante como pastora voluntária, Rosa Marga Rothe, atualmente trabalha como Ouvidora do Estado do Pará.

O trabalho iniciou com dificuldades, como em qualquer lugar. As celebrações eram feitas embaixo de uma lona, mais tarde foram para um espaço coberto que servia com garagem. Nessa época iniciou todo o envolvimento social-diaconal da comunidade junto a diferentes entidades que atuavam em âmbito ecumênico. Houve um forte trabalho na área de direitos humanos. Hoje a comunidade continua mantendo essas parceiras. O trabalho com mulheres, crianças e jovens pobres criou suas raízes através da horta, do trabalho com teatro, da capoeira e da música. Nessa época também foi fundada a UNIPOP, Universidade Popular, criada pelo movimento popular e igrejas. Foi um tempo de muita mobilização e de caracterização do rosto e da identidade da Igreja luterana em Belém.

Em 1985 foi inaugurada a Capela. Uma construção regional, marcada por um espaço circular, com muitas janelas, com traços da cultura indígena marajoara, com grandes degraus, lugar para as pessoas sentarem. A capela possuiu duas salas, sendo uma sala destinada à equipe de liturgia e outra ao Grupo de Cultura Regional. Na placa de inauguração, encontramos a referência: Capela Multi-uso. Isso significa que todos os dias da semana temos atividades nesse espaço muito conhecido, respeitado e valorizado pelas pessoas. Lá tem celebrações, dança regional, capoeria, grupo de profissão de fé, trabalho com crianças, cursos variados para mulheres e adolescentes, grupo de jovens, coral, equipe de liturgia, encontros e reuniões variadas. A cada dois ou três meses, organizamos o Luau, um evento cultural que acontece na época de Lua Cheia, congregando artistas de Belém, com música, dança e teatro. É um evento muito conhecido na cidade.

A PCLB mantém um intercâmbio de solidariedade com a comunidade de Halden, em St. Gallen, na Suíça. Iniciou com um intercâmbio de pastores. Na época o P. Dario Schaeffer foi para a Suíça e o P. Andreas Nufer veio para Belém. Após o término dos contratos dos pastores, o intercâmbio continuou com contatos e visitas de grupos de Belem e de Halden, com troca de experiências. Ambas as comunidades organizam as atividades através dos seus grupos de intercâmbios.

Além dessas atividades, presentemente também temos um trabalho de musicalização para crianças, no Bairro da Pedreira e na Vila da Barca. O trabalho na Vila da Barca, uma vila de palafitas, na beira do rio, no Bairro Telégrafo, também iniciou na década de 80, através da Escolinha de Arte Popular. Hoje esta escolinha não funciona mais. O trabalho continuou através de uma marcenaria. Atualmente, realizamos lá trabalho com crianças, grupo de jovens, curso de violão. E temos uma forte parceria com a Associação de Moradores. Grande parte dessas ações estão incorporadas ao Projeto Mururé, o trabalho diaconal que a comunidade desenvolve há muitos anos com mulheres, crianças, jovens e adolescentes. O projeto atinge as áreas do Bairro da Pedreira, Vila da Barca, Marco e arredores. Obviamente, a sustentabilidade de um projeto como esse não é fácil. Estamos sempre avaliando a eficácia das ações e as formas de melhorá-lo frente às mudanças da realidade e o envolvimento responsável e não-assistencialista das pessoas.

Atualmente, a comunidade é formada, majoritariamente, por pessoas nascidas em Belém ou no interior e algumas pessoas que migraram do sudeste e sul do país. Somos uma estrutura paroquial pequena, mas atuante. Composta por cerca de 100 membros registrados, nem todos ativos, a comunidade sempre recebe muitas visitas e têm muitos amigos e amigas que participam, mas são de outra igreja ou de nenhuma igreja. Gostam de celebrar e participar conosco. É um perfil muito presente entre nós. Estamos refletindo sobre um trabalho missionário contextualizado, no sentido fortalecer a proposta de ser igreja luterana aqui na Amazônia paraense. Existem ainda trabalhos nas comunidades do interior do Pará, em Tucuruí, Rio Gelado e Repartimento. São pequenas comunidades, sendo que Tucuruí organiza bem atividades como celebrações, visitas e trabalho com crianças, sem a presença constante da obreira.

Várias pessoas contribuíram na formação dessa comunidade, leigos/as, observadores/as, pastores/as, voluntários/as, educadores/as, intercambistas, estagiários/as. Inúmeros nomes poderiam ser citados, mas citamos com muita força o nome de Deus, que se faz presente entre as pessoas que compartilham sua espiritualidade atuante, sua cultura, seus limites e tornam essa pequena comunidade um espaço de vivência e de luta. Em meio às difuculdades, confiamos na presença de Deus e no desafio de sermos comunidade integradora e proclamadora da mensagem de Deus aos pobres.

Cibele Kuss - Pastora na Paróquia em Belém

Nossos Templos
Templo de Belém - Pará

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